segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Poesia de 30 - Vinícius de Morais

Vinícius de Morais
Vinícius de Morais e Cecília Meireles completam o grupo dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro. Vinícius, partindo de uma poesia religiosa e idealizante, chega a ser um dos poetas mais sensuais de nossa literatura. Vinícius e Cecília são considerados poetas espiritualistas reforçam essa tendência da segunda geração modernista. Vinícius tem um caminho em direção a percepção material da vida, do amor e da mulher.
Vinícius de Morais e um dos mais famosos compositores da musica popular brasileira e um dos fundadores, na década de 1950, do movimento musical Bossa Nova, sendo também significativo da segunda fase do Modernismo.
Nasceu no Rio de Janeiro, em uma família de intelectuais.
-1928, começou a fazer suas primeiras composições musicais.
-1929, formou-se em Letras.
-1933, formou-se em Direito, no mesmo ano publicou seu primeiro livro de poemas, O Caminho para a distância.
-Tornou-se representante do Ministério de Educação junto a Censura Cinematográfica.
-1940, ingressou na carreira diplomática e jornalismo, como cronista e critico de cinema. Como diplomata, viveu muitos anos em Los Angeles, Paris e Montevidéu, com alguns intervalos no Brasil. Conhecendo artistas e intelectuais de todo mundo.
-1950, interessou-se por musica de câmara e popular e começou a compor.
-1956, publicou a peça teatral Orfeu da Conceição e publicou o poema “O operário em construção”. A partir daí passou a dedicar-se cada vez mais na carreira de cantor, compositor e fazendo Shows com vários parceiros.
-1930 e 40 Vinícius se integra ao grupo de poetas religiosos que se formou no Rio de Janeiro.
-1955, publicou Antologia poética a obra consistia em duas fases: “A primeira, transcendental, freqüentemente mística, resultante de sua fase crista, termina com o poema ‘Ariana, a mulher’, editado em 1936”. Na segunda “estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil, mas consiste repulsa ao idealismo dos primeiros anos”.
-Outros exemplos de poetas, a primeira fase da poesia de Vinícius é marcada pela preocupação religiosa, angústia existencial diante da condição humana e pelo desejo de superar, por meio da transcendência mística, as sensações de pecado, culpa e desconsolo que a vida terrena oferece. Os poemas dessa fase são longos, com versos igualmente longos, em linguagem abstrata, alegórica e declamatória.
-1943, publicou Cinco elegias é a obra que marca na poesia de Vinícius o poeta torna- se interessado nos temas cotidianos, nas coisas simples da vida, e explora com sensualismo os temas do amor e da mulher. A linguagem tende á simplicidade: o verso livre passa a ser mais empregado, a comunicação fica mais direta e dinâmica.
-1960 Vinícius um poeta social e sensual afastou-se da poesia e entregou-se de corpo e alma á música. Vinícius foi o poeta mais conhecido e amado do publico brasileiro, aquele que levou as rodas de bar, aos teatros e ao radio.



"Essa mulher que se arremessa, fria

E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama

     E guarda a marca dos meus dentes nela.
                                            Essa mulher é um mundo! – uma cadela

Talvez… – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!"

( Soneto de Devoção )


Vinícius de Morais

Por Taís Amaral 

Poesia de 30 - Murilo Mendes

Murilo Mendes

Murilo Mendes Lançou-se na Literatura como autor modernista publicando algumas de suas produções nas revistas paulistas da década de 1920. Sua obra de estréia, Poemas, veio a público somente em 1930 e nela já se notavam  alguns dos traços que iriam marcar sua poesia futura: a dilaceração do ‘eu’ em conflito, a presença constante de metáforas e símbolos, a inclinação para o surrealismo e os contrastes entre abstrato e concreto lucidez e delírio realidade e mito.
No inicio da década de 1930 suas experiências foram múltiplas: tomou contato com o marxismo de que resultou a obra Bumba-meu poeta (escrita em 1930e publicada em 1959) que demonstra solidariedade para com a classe operaria. Em 1932 publicou História do Brasil  uma obra de fundo nacionalista que retrata nossa historia  sob um ponto de vista ufanista-irônico. Depois dessa obra é a vez de Visionário, em que se Observam muitas sugestões surrealistas, em meio a uma acentuada atmosfera onírica.
Em 1935, tendo se convertido ao catolicismo, escreveu em parceria com Jorge de Lima a obra o Tempo e eternidade. Sem romper com nenhuma das posições tomadas anteriormente, Murilo concilia a poesia religiosa com as contradições do eu, com  a preocupação social com o sobrenatural surrealista. Cria assim um conceito particular de religiosidade, unido á arte e a um senso prático da vida – erotismo,democracia e socialismo.Em sua concepção religiosa, elementos contrastantes tais como finito e infinito,visível e invisível,matéria e espírito não se excluem.Para ele essas polaridades confundem-se no corpo Místico,em Deus,e apenas passam por uma experiência terrestre. 
  



" Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!


Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo. "

( O homem, a luta e a eternidade )


Murilo Mendes

Por Maiquele Pinheiro 

Poesia de 30 - Cecília Meireles

Cecília Meireles

   Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides.
   Cecília Meireles foi uma poetisa e jornalista, e é considerada umas das maiores escritoras brasileiras, com mais de 50 obras publicas, além disso foi professora de línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.
   Com dezoito anos, Cecília Meireles publicou seu primeiro livro de poesias, chamado Espectro. Seus livros eram influenciado pelo Modernismo, Romantismo e outros. Na profissão de jornalista, publicava matérias sobre os problemas na educação, e por esse seu interesse, foi fundadora da primeira biblioteca infantil do Brasil, no ano de 1934. Seu interesse pela educação e pelas crianças fez com que tivesse também um grande reconhecimento na poesia infantil, com textos como "O Cavalinho Branco", "Colar de Carolina", "O mosquito escreve" e muitos outros. No ano de 1939, Cecília publicou "Viagem", livro que acabou ganhando o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

Após sua morte, recebeu como homenagem a impressão de uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989, que seria mudada para cem cruzeiros, quando da troca da moeda pelo governo de Fernando Collor.




"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

(Romanceiro da Inconfidência)


Cecília Meireles

 Por José Ramon

Poesia de 30 - Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

    Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
    O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

    O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.    Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade. 


(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.


(Resíduo)







Por Keisiane Mozer